“Vigorexia, já ouviu falar? A doença da vaidade!”

Malhar algumas horas em alguns dias da semana para deixar o corpo em forma é muito saudável. No entanto, abusar de exercícios extrapolando na carga de treinos e ficar dependente da suplementação em busca de uma imagem perfeita pode dar indícios de um transtorno psicológico, a vigorexia.
Na verdade a vigorexia não está incluída nas classificações tradicionais de transtornos mentais como doença específica mas sim, como uma manifestação
dentro do transtorno dismórfico corporal. É uma síndrome que se manifesta nos indivíduos, geralmente homens, e até mesmo algumas mulheres que apresentam uma opinião patológica a respeito do próprio corpo, acreditando ter uma musculatura muito pequena e fraca, uma distorção da própria imagem corporal. Eles se mostram excessivamente preocupados com a própria aparência e estão constantemente insatisfeitos com seus músculos buscando incessantemente a perfeição corporal.
“Os indivíduos acometidos nunca estão satisfeitos com o corpo e, por isso, treinam obsessivamente. Há excessiva preocupação com sua imagem já que a percepção do próprio corpo é distorcida. Isso induz muitos deles a criar uma obsessão por músculos volumosos, recorrendo a produtos que permitam atingir seus objetivos, treinos em excesso e suplementação de forma incontrolável e ilícita. As consequências desse culto ao corpo podem ser desastrosas”
É normal que os pacientes com vigorexia se pesem e se olhem no espelho diversas vezes ao longo do dia. Essa mudança de comportamento e a preocupação excessiva com o corpo servem de alerta para os pais ou familiares. Além disso, a vigorexia pode acarretar outros sintomas, como fadiga persistente, dores musculares, irritabilidade, perda de motivação e apetite, ritmo cardíaco elevado, depressão, menor desempenho sexual, insônia e até mesmo levar a morte.
Causas e grupo de risco
A vigorexia afeta com maior frequência homens entre 18 e 35 anos mas, pode também ser observada em mulheres desta mesma faixa etária, sendo impulsionada por fatores socioeconômicos, emocionais, fisiológicos, cognitivos e comportamentais. Os padrões de beleza ditados pela sociedade, com grande influência da mídia priorizam o estético e o culto ao corpo exigindo um padrão extremamente rígido quanto ao corpo ideal. Isso exerce uma pressão negativa na forma como as pessoas se olham e se aceitam, induzindo mudanças radicais de comportamento na tentativa de serem aceitas na sociedade ou em determinados grupos de interesses.
Além disso, essa pressão acaba dificultando o desenvolvimento da autoestima e da sociabilidade sadia. Reconhecer as pressões estéticas impostas pela sociedade e saber lidar com elas de maneira saudável é uma das saídas para evitar doenças como a vigorexia e outros distúrbios da imagem corporal.
A vigorexia pode se agravar a partir do momento em que o individuo passa a usar anabolizantes para atingir seus objetivos. O uso desse tipo de substância traz
diversos riscos a saúde, entre eles o aumento das possibilidades de desenvolver doenças
cardiovasculares e disfunções sexuais, além de diminuir o tamanho dos testículos e desencadear o câncer de próstata entre outros malefícios.
Como tratar a vigorexia?
O paciente que apresenta distúrbios de imagem corporal dificilmente vai procurar ajuda de especialista, primeiro por não ter consciência de seu problema e também por medo de que o tratamento o distancie do seu objetivo de ter um corpo perfeito. No tratamento é essencial o acompanhamento psicoterapêutico para mudar a percepção corporal distorcida do paciente, ajudando-o a reconhecer e aceitar seu próprio corpo, recuperando a autoestima e modificando o esquema de pensamento.

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