Os perigos do uso indiscriminado de termogênicos

Neste período do ano as academias, clubes e parques voltam a ficar cheios, afinal, é verão. A corrida contra o tempo para perder aqueles ‘quilinhos’ está de volta!

Para alcançar seus objetivos as pessoas recorrem a diversas e radicais estratégias das quais lançam mão de dietas e suplementos de todo tipo que são usados na busca do corpo perfeito, um fato preocupante. Os produtos do momento parecem ser os aceleradores de metabolismo ou termogênicos conhecidos como Ripped Fuel, Xenadrine, Therma Pró, só para citar alguns. Por isso é importante alertar sobre os riscos à saúde advindos do uso indiscriminado deste produto.

Os termogênicos fazem parte dos chamados agentes ergogênicos que incluem todo o mecanismo ou adaptação fisiológica que cientificamente provocam melhora do desempenho físico (Leite de Barros Neto,T. 2001). Podem ser ingeridos em bebidas e ficaram famosos pela promessa de queimarem as “gordurinhas”. Geralmente combinam doses elevadas de cafeína (além de anfetamina e até efedrina em alguns casos, substâncias proibidas) e são estimulantes que atuam nos músculos, no sistema nervoso central e na mobilização dos substratos energéticos durante o exercício.

Ao imitar os efeitos da adrenalina no corpo, os termogênicos aumentam o estado de excitação (vigília), diminuem a percepção do cansaço e ainda provocam simultaneamente a elevação da glicose sanguínea e maior utilização das gorduras como energia graças a inibição da ação da insulina executada por eles. Daí se justifica a crença na sua suplementação. Estudos têm demonstrado tais efeitos, porém ainda estão em discussão tópicos referentes a dose e frequência de consumo, duração do exercício e ao estado de fadiga das pessoas que foram estudadas.

Assim a preocupação de autoridades de saúde, estudiosos e treinadores especializados não está restrita ao consumo indiscriminado dos suplementos só por parte dos atletas de alto rendimento. Os padrões estéticos são extremamente sedutores aos praticantes de atividades físicas “leigos” os quais relegam muitas vezes a saúde para um segundo plano (Leite de Barros Neto,T. 2001). Como exemplo, Wolf et al. 2004 conduziu um estudo com usuários de academias e observou que eles misturavam dois ou mais produtos e ainda estabeleciam as próprias doses, muitas acima do recomendável, ignorando quaisquer efeitos adversos possíveis.

Aproveite e veja nosso texto sobre fitoterápicos!!!

Dessa forma, é fundamental pensarmos no consumo dos termogênicos e de quaisquer outros suplementos de forma mais crítica. O consumo vertiginoso e crescente é perigoso na medida em que está associado à desinformação sobre o conceito dos suplementos e suas reais necessidades. As pessoas comuns parecem ser levadas a acreditar que o exercício só tem efeito se associado a algum suplemento, sendo cada vez mais difícil crer na eficácia da equação ATIVIDADE FÍSICA + ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL (Leite de Barros Neto,T. 2001).

Enfim, importante que cada praticante de atividade física consiga confrontar a pressão pelos padrões estéticos e a garantia de saúde e bem-estar. Qual ponto divide a linha entre eles? Há de se pautar pelo bom senso!

Para não correr riscos desnecessários é imprescindível contar com a orientação de profissionais competentes nas áreas da Educação Física, Nutrição e Medicina que devem atuar cada qual na sua especialidade, porém de forma integrada. Quem sabe com a integração de conhecimentos poderemos retomar o melhor foco dos programas de exercícios e, por conseqüência, os benefícios que eles podem trazer pois, sem dúvida, são efetivamente os melhores efeitos ergogênicos a serem valorizados!

Comments

comments