O frio: aliado ou adversário para o corredor

O texto abaixo é do Dr. Turíbio Barros, Mestre e Doutor em Fisiologia do Exercício pela EPM, membro do American College of Sports Medicine, professor e coordenador do Curso de Especialização em Medicina Esportiva  da Unifesp e fisiologista do São Paulo FC e coordenador do Departamento de Fisiologia do E.C. Pinheiros, foi publicado no “Eu atleta”  em agosto de 2015 e nós da Suporte Saúde achamos extremamente interessante, relevante e estamos reproduzindo-o em nosso blog nessa semana.

  “As baixas temperaturas podem ser tanto aliadas quanto adversárias de corredores. Tudo depende da temperatura ambiente que o atleta vai enfrentar. Existe uma faixa de temperatura que é definida como de neutralidade térmica, ou seja, uma temperatura ambiente que não exigiria nem lutar contra o frio nem contra o calor. Esta temperatura é entre 20 e 24 graus Celsius. Entretanto, esta definição vale para o indivíduo em repouso.

  Durante o exercício, existe uma produção de calor tanto maior quanto mais intenso for o ritmo do exercício. Quando corremos, o conforto térmico ocorre em temperaturas bem mais baixas. É muito comum atletas de provas de longas distâncias referirem como temperatura ideal a faixa de 10 a 15 graus, apesar de sabidamente existir grande variabilidade individual nesta sensibilidade térmica. Nesta faixa de temperatura, o frio é um aliado, ajudando o corpo a perder calor e melhorando o desempenho

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  Quando a temperatura se situa entre 0 e 10 graus, certamente o calor produzido pelo corpo não consegue equilibrar a perda térmica, tornando-se necessário o uso de roupas para proteger o corpo da perda de temperatura. Além de comprometer a integridade do atleta, inclusive predispondo a maior risco de lesões ou até a problemas mais sérios, a redução da temperatura certamente prejudicará o rendimento. Os músculos precisam de uma temperatura corporal em torno de 37 graus para a adequada produção de energia. A eventual redução de temperatura prejudica as ações enzimáticas, comprometendo o desempenho, além de diminuir perigosamente a flexibilidade.

  Temperaturas abaixo de zero seriam, teoricamente, incompatíveis com a prática de corridas e certamente já caracterizam provas de outra natureza. O frio desta magnitude causa danos muito sérios, frequentemente causando lesões nas extremidades. O sistema vascular sofre intenso controle dos vasos sanguíneos das extremidades para tentar evitar a perda de calor, e o uso de roupas especiais é absolutamente indispensável.

  A outra repercussão das baixas temperaturas do ar ambiente é o intenso resfriamento das vias aéreas. O ar inspirado resfria o sangue nos pulmões, obrigando o corpo a aumentar ainda mais o metabolismo e literalmente competindo com o exercício realizado.”

MARIA ANGELICA FELIZARDO, EDUCADORA FÍSICA, TRABALHA COM TREINAMENTO PERSONALIZADO HÁ 20 ANOS, ESCRITORA.

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